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Alismataceae

A família Alismataceae reúne principalmente ervas aquáticas ou palustres, raramente emergentes de grande porte, adaptadas a ambientes de água doce ou levemente salobra. As plantas podem ser totalmente submersas, flutuantes ou emergentes, frequentemente com rizomas ou estolões. As folhas são geralmente basais, longamente pecioladas, com lâmina simples que pode variar de linear a largamente sagitada ou cordiforme, muitas vezes apresentando heterofilia, isto é, folhas de formatos diferentes na mesma planta conforme o nível da água. As flores são geralmente vistosas, actinomorfas, com três pétalas livres e frequentemente brancas, rosadas ou amareladas, dispostas em inflorescências do tipo verticilada ou paniculada acima da lâmina d’água. O androceu é composto por numerosos estames e o gineceu por múltiplos carpelos livres. Os frutos são aquênios ou folículos agregados, geralmente pequenos, adaptados à dispersão pela água.

Do ponto de vista global, Alismataceae possui distribuição cosmopolita, ocorrendo em praticamente todos os continentes, com maior diversidade em regiões tropicais e subtropicais. A família compreende cerca de 11 a 14 gêneros e aproximadamente 100 a 120 espécies, sendo especialmente diversa em ambientes alagados naturais, como lagoas, brejos, várzeas e margens de rios. A família é considerada um grupo relativamente basal entre as monocotiledôneas, o que a torna importante em estudos evolutivos.

No Brasil, Alismataceae é representada por 39 espécies e 5 gêneros, possui importância ecológica significativa, sobretudo em áreas úmidas continentais. O gênero Echinodorus é o mais diverso e emblemático no país, com várias espécies nativas amplamente distribuídas em brejos, lagoas temporárias, campos inundáveis e margens de cursos d’água. Sagittaria é o segundo gênero com mais espécies, e tão bem distribuído quanto Echinodorus.

Em Santa Catarina, ocorrem 15 espécies e 4 gêneros da família. Algumas espécies de Echinodorus, assim como Sagittaria montevidensis são relativamente comuns e podem ser encontradas em ambientes naturais e seminaturais, inclusive em áreas antropizadas como lagos de piscicultura, cultivos de arroz irrigado e valas de drenagem. No entando, a maioria das espécies é bastante rara e com distribuição restrita, próximo aos limites do território, ou são registros muito antigos.

Destaca-se na família a heterofilia acentuada, frequentemente observada em espécies de Echinodorus e Sagittaria, em que folhas submersas, flutuantes e emergentes possuem morfologias radicalmente distintas. As flores, embora efêmeras, são bastante atrativas para insetos polinizadores e se abrem geralmente por poucas horas. A família também inclui espécies amplamente utilizadas no aquarismo, especialmente Echinodorus, muito valorizadas pela resistência e pela diversidade de formas foliares. Além disso, algumas espécies de Sagittaria produzem rizomas ou tubérculos ricos em amido, que são consumidos tradicionalmente por populações humanas e por fauna silvestre em várias partes do mundo.

Complementando o resumo, Alismataceae também apresenta usos medicinais bem documentados e um perfil fitoquímico de interesse, especialmente em alguns gêneros amplamente estudados.

Do ponto de vista medicinal, espécies dos gêneros Alisma, Sagittaria e Echinodorus são utilizadas tradicionalmente em diferentes sistemas médicos. Na medicina tradicional chinesa, Alisma orientale (conhecida como zé xiè) é uma das espécies mais importantes da família, empregada há séculos como diurética, anti-inflamatória e no tratamento de distúrbios renais e urinários. Extratos de seus rizomas são utilizados para redução de edemas, controle de dislipidemias e como coadjuvantes em terapias hepáticas. Em populações tradicionais da América do Sul, espécies de Echinodorus são amplamente conhecidas como “chapéu-de-couro”, usadas em infusões com finalidade diurética, anti-inflamatória, analgésica e depurativa, especialmente no tratamento de infecções urinárias, reumatismo e distúrbios renais.

Sob o ponto de vista fitoquímico, Alismataceae é rica em triterpenos, sesquiterpenos, diterpenos, flavonoides, ácidos fenólicos e esteróis vegetais. Em Alisma e Sagittaria, destacam-se triterpenos do tipo alisol (como alisol A, B e derivados), compostos que apresentam atividades diurética, hipolipemiante, hepatoprotetora e anti-inflamatória comprovadas em estudos farmacológicos. Em Echinodorus, diversos flavonoides (como luteolina e apigenina), além de compostos fenólicos e ácidos orgânicos, estão associados às propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes relatadas na medicina popular brasileira.

Apesar desses usos, é importante ressaltar que algumas espécies da família podem conter saponinas e outros metabólitos bioativos que, em doses elevadas ou uso prolongado, podem causar efeitos adversos, sobretudo gastrointestinais. Por essa razão, embora várias espécies sejam amplamente utilizadas na medicina tradicional, seu uso terapêutico deve ser feito com cautela e preferencialmente com respaldo farmacológico adequado.

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