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3 espécies encontradas

Alstroemeriaceae

Ervas perenes, raramente subarbustos, geralmente rizomatosas ou tuberosas. Caule aéreo ereto ou escandente, simples ou ramificado, glabro ou pubescente. Folhas alternas, raramente subopostas, simples, inteiras, geralmente ressupinadas (com torção do pecíolo), sésseis a pecioladas; lâmina linear a lanceolada, elíptica ou ovada, nervação paralela, margem inteira, ápice agudo a acuminado. Inflorescência terminal ou axilar, em umbela, cimeira ou panícula, frequentemente com brácteas involucrais. Flores vistosas, hermafroditas, actinomorfas a levemente zigomorfas, trímeras; perigônio petaloide, com 6 tépalas livres, dispostas em dois verticilos, geralmente desiguais, as internas frequentemente com manchas, listras ou máculas nectaríferas. Androceu com 6 estames férteis, filetes livres, anteras dorsifixas, rimosas. Gineceu tricarpelar, sincárpico; ovário súpero, trilocular, com numerosos óvulos por lóculo, placentação axial; estilete único, estigma trilobado ou capitado. Fruto cápsula loculicida; sementes geralmente globosas a angulosas, frequentemente com sarcotesta ou arilo rudimentar. A ressupinação foliar é uma característica marcante da família, frequentemente usada como caráter diagnóstico em campo. A diversidade morfológica das flores, especialmente em Alstroemeria e Bomarea, reflete adaptações a diferentes síndromes de polinização e ambientes.

Família predominantemente neotropical, com centro de diversidade na América do Sul, especialmente na região andina e no sul do continente. Inclui cerca de 4–5 gêneros e aproximadamente 250–300 espécies, sendo os gêneros mais diversos Alstroemeria e Bomarea. No Brasil, ocorrem 43 espécies e 2 gêneros, sendo que Bomarea é representada apenas por uma espécie. A família se distribui por todo o Brasil, mas com diversidade concentrada principalmente nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, em cerrados, campos, bordas de florestas e áreas montanas. As flores vistosas e coloridas indicam polinização predominantemente por insetos (especialmente abelhas) e, em alguns grupos, por aves. A presença de manchas e listras nas tépalas internas atua como guias de néctar. A dispersão das sementes é geralmente autocórica, com deiscência explosiva das cápsulas, ou zoocórica, quando há sarcotesta.

Alstroemeriaceae possui grande importância ornamental, com muitas espécies, híbridos e cultivares de Alstroemeria, amplamente cultivadas como flores de corte e plantas ornamentais em jardins e paisagismo, devido à durabilidade das flores e à ampla variedade de cores. Algumas espécies são utilizadas localmente como ornamentais nativas.

Algumas espécies de Alstroemeriaceae, especialmente do gênero Bomarea, apresentam raízes tuberosas ou rizomas amiláceos que são tradicionalmente consumidos por populações humanas na região andina da América do Sul. Esses órgãos subterrâneos são geralmente utilizados após cozimento, reduzindo sabores amargos e possíveis compostos indesejáveis, e constituem uma fonte local de carboidratos em comunidades rurais. Registros etnobotânicos indicam o consumo ocasional das raízes de espécies como Bomarea edulis, conhecida em algumas regiões como “papa de monte” ou “sacha papa”, sendo utilizadas de maneira semelhante a outros tubérculos nativos. Apesar desse uso tradicional, o consumo não é generalizado em toda a área de ocorrência da família, nem todas as espécies possuem órgãos subterrâneos comestíveis, havendo variação significativa quanto ao teor de amido e à presença de compostos potencialmente tóxicos. Não há evidências de domesticação ampla ou cultivo sistemático dessas espécies como plantas alimentícias, e o uso permanece local e tradicional, sem importância econômica expressiva em escala regional ou global.

Gêneros em Santa Catarina

Chave dicotômica para identificação dos gêneros de Alstroemeriaceae em SC

  1. 1. Herbáceas eretas, ausência de sarcotesta nas sementes Alstroemeria
  2. 1. Trepadeiras volúveis, sementes recobertas de sarcotesta Bomarea

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