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14 espécies encontradas

Amaryllidaceae

Raízes adventícias presentes, perenes ou não, contráteis ou não, com epiderme unisseriada ou frequentemente multisseriada, por vezes diferenciada em velame; micorriza geralmente presente. Caule subterrâneo geralmente bulboso, superficial a enterrado, raramente rizomatoso, ocorrendo principalmente em ambientes saxícolas, e ocasionalmente em habitats hidrófitos ou epifíticos. Bulbos globosos, ovoides a elipsoides, prolongando-se em colo curto ou longo, tunicados, com catáfilo externo frequentemente mais escuro, por vezes atrocinéreo. A formação de bulbilhos pode ocorrer, originando-se de meristemas localizados entre os catáfilos, de células da superfície dos próprios catáfilos ou, mais raramente, de células do rizoma. Filotaxia dística ou espiralada. Folhas anuais ou perenes, geralmente histerantas, raramente formando pseudocaule, sésseis a pecioladas, semiteretes a teretes, por vezes fistulosas; lâminas filiformes, lineares, ensiformes, falcadas, oblongas, elípticas, lanceoladas ou cordiformes. Folhas eretas, cernuas a nutantes, com superfície glabra; nervação paralela, raramente reticulada; nervura central pouco a muito conspícua, saliente na face adaxial ou abaxial; lâminas carenadas, canaliculadas a planas; margens inteiras a escabrosas; coloração geralmente verde, mais escura na face adaxial. Inflorescência predominantemente umbeliforme, raramente uniflora; escapo sólido ou fistuloso, glabro, portando brácteas na região distal; brácteas basais espatáceas, parcial ou totalmente livres. Flores sésseis a pediceladas, hermafroditas, actinomorfas ou zigomorfas, eretas ou deflexas, conspícuas ou inconspícuas; coloração creme, branca, amarela, rosada, vermelha, azul ou violeta. Perianto composto por seis tépalas semelhantes, dispostas em dois verticilos, unidas na base formando hipanto curto a alongado, com ou sem corona. Estames (5–)6, epissépalos e epipétalos; filetes livres ou raramente unidos formando tubo estaminal; anteras alongadas, introrsas, dorsifixas a versáteis, com deiscência longitudinal. Ovário súpero ou ínfero, tricarpelar, trilocular, com nectários septais; óvulos um a muitos por lóculo; placentação axilar ou aparentemente basal, colateral; estilete único; estigma simples, capitado, trilobado a trífido. Fruto cápsula, com ápice cuspidado, rostrado ou não, deiscência loculicida ou irregular. Sementes globosas, irregularmente poliédricas, achatadas ou aladas, foliáceo-comprimidas, papiráceas, com ou sem arilo; coloração clara a esverdeada ou, mais frequentemente, castanha a negra, em decorrência de camada externa de fitomelanina. Embrião cilíndrico, reto; endosperma presente.

Hippeastrum glaucescens, representante do gênero mais conhecido e com flores bastante vistosas.

Amaryllidaceae caracteriza-se principalmente pelo hábito geófito bulboso, folhas geralmente basais, inflorescência em escapo terminando em umbela protegida por espata, flores vistosas com perigônio petaloide, ovário ínfero e pela produção frequente de alcaloides nitrogenados biologicamente ativos.

Família de distribuição cosmopolita, com maior diversidade em regiões tropicais e subtropicais, especialmente na América do Sul e África Austral. Inclui cerca de 80–90 gêneros e aproximadamente 1.600–1.700 espécies, atualmente organizadas em três subfamílias principais: Amaryllidoideae, Allioideae e Agapanthoideae.

Nothoscordum bivalve, representante da subfamília Allioideae nativa

No Brasil, Amaryllidaceae ocorre em todos os biomas, com maior diversidade na Mata Atlântica, Cerrado e campos do Sul. Estão registrados 19 gêneros e aproximadamente 162 espécies, muitas delas endêmicas. O país é um dos principais centros de diversidade do gênero Hippeastrum, com numerosas espécies restritas a campos rupestres, cerrados e florestas estacionais, várias apresentando distribuição limitada e vulnerabilidade à perda de habitat. Gêneros como Griffinia, NothoscordumZephyranthes também são bem representados na flora brasileira. Espécies de Amaryllidaceae ocupam desde ambientes abertos e sazonais (campos, savanas, cerrados) até florestas estacionais e montanas. Muitas são adaptadas à sazonalidade hídrica, com floração sincronizada às chuvas ou logo após períodos de estresse ambiental, como seca ou fogo.

Amaryllidaceae possui grande relevância ornamental, com numerosos gêneros amplamente cultivados, como Hippeastrum, Amaryllis, Narcissus, Crinum, Hymenocallis e Zephyranthes, valorizados pela floração vistosa e diversidade cromática. Especialmente Hippeastrum apresenta uma quantidade imensa de híbridos e cultivares comerciais, produzidos em larga escala. Do ponto de vista alimentar, a importância concentra-se na subfamília Allioideae, que inclui o gênero Allium, com espécies amplamente cultivadas e consumidas mundialmente, como cebola (Allium cepa), alho (A. sativum), cebolinha (A. fistulosum) e alho-poró (A. porrum), utilizadas tanto como alimento quanto como condimentos e plantas medicinais.

A família é notável pela produção de alcaloides isoquinolínicos, com ampla atividade biológica. A galantamina, originalmente isolada de espécies de Amaryllidaceae, é utilizada no tratamento da doença de Alzheimer. Outros alcaloides apresentam propriedades citotóxicas, antivirais ou anti-inflamatórias, mas também conferem toxicidade a muitas espécies, restringindo seu uso alimentar direto.

Gêneros em Santa Catarina

Chave dicotômica para identificação dos gêneros de Amaryllidaceae em SC

  1. 1. Ovário súpero Nothoscordum
  2. 1. Ovário ínfero 2
  3. 2. Escapo flora meduloso (cheio) Crinum
  4. 2. Escapo floral fistuloso (oco) 3
  5. 3. Folhas geralmente com mais de 2 cm de largura, bracteas espatais livres, flores geralmente com mais de 6 cm de comprimento Hippeastrum
  6. 3. Folhas geralmente com menos de 2 cm de largura, bracteas espatais geralmente unidas em um tubo, flores geralmente com menos de 6cm de comprimento Zephyranthes

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